Por Redação
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Na Ilha do Mel o carro fica no continente. Não é restrição de temporada nem regra de uma vila: não há estrada na ilha, e quem desembarca segue a pé, por trilhas de areia. Isso muda tudo o que vem depois — o que você carrega, quanto tempo leva para ir de um lugar a outro, e o que acontece quando escurece.
A ilha fica na Baía de Paranaguá, no litoral do Paraná, e pertence ao município de Paranaguá.
Os carros ficam no continente
Sem estrada, sem carro e sem poste. Não há iluminação pública nas trilhas: depois do pôr do sol, você anda com lanterna ou com a lua. O sinal de celular é fraco a inexistente em boa parte da ilha, e o que existe de internet é wi-fi de pousada e restaurante.

As trilhas são sinalizadas e seguras, mas têm bifurcações, e é comum errar o caminho nas primeiras vezes. Vale memorizar onde fica a pousada logo na chegada, enquanto ainda é dia.
Há uma consequência prática que quase ninguém antecipa: a bagagem também vai a pé. Nos trapiches existem carregadores, com preço tabelado, mas o valor pesa e a caminhada até a hospedagem pode ser longa. Mala de rodinha em trilha de areia não anda. Mochila resolve.
Dois portos, dois tempos de travessia
Dá para embarcar em dois lugares, e a escolha muda a viagem:
| de onde | duração | frequência |
|---|---|---|
| Paranaguá | cerca de 2 horas | duas saídas por dia |
| Pontal do Sul | cerca de 30 minutos | de hora em hora, mais frequente nos fins de semana e no verão |
Pontal do Sul fica a 47 km de Paranaguá e é a opção da maioria — principalmente de quem enjoa em barco, porque são 30 minutos em vez de duas horas. Paranaguá compensa para quem já está na cidade e não se incomoda com a travessia longa. Horário e tarifa mudam por temporada; confirme antes de sair.
Duas vilas, e a escolha entre elas
A ilha tem duas vilas, cada uma com seu trapiche, e elas não são intercambiáveis:
- Encantadas — público mais jovem, mais opções de restaurante e preços menores. A praia em frente ao trapiche não é boa para banho, porque ali é onde as embarcações atracam.
- Nova Brasília — mais tranquila, com menos opções de comida. Fica junto ao istmo, o trecho estreito que liga as duas partes da ilha.
Barcos ligam uma vila à outra ao longo do dia, em intervalos aproximados de uma hora. A pé, entre elas, é caminhada longa.

O mapa daqui é uma tabela de tempos
Numa ilha sem carro, distância em quilômetros informa pouco. O que organiza o dia é o tempo de caminhada. Saindo de Nova Brasília:
| destino | a pé | de barco |
|---|---|---|
| Praia do Limoeiro | 5 minutos | — |
| Praia Grande | 25 minutos | — |
| Praia da Fortaleza | 40 minutos | 10 minutos |
| Fortaleza de N. S. dos Prazeres | 1 hora | 10 minutos |
| Vila de Encantadas | caminhada longa | 15 minutos |
| Praia de Fora das Encantadas | 1 h 50 | — |
De Encantadas, a Praia de Fora fica a 10 minutos a pé, e a Gruta das Encantadas sai por trilha leve a partir do trapiche.
Alugar bicicleta encurta boa parte disso, e há aluguel nas vilas e em pousadas.

A fortaleza guarda canhões na posição original

A Fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres foi construída num ponto estratégico da ilha para proteger a Baía de Paranaguá. Por dentro dá para ver as salas que serviram de presídio e a casa do comandante, mas o que vale mesmo está do lado de fora: canhões ingleses e portugueses dos séculos 18 e 19, ainda nas posições originais.
Uma trilha íngreme leva ao alto do morro, onde há canhões mais recentes e trincheiras do período da Segunda Guerra. A visita é gratuita.
O farol, e por que subir cedo

O Farol das Conchas se alcança por trilhas curtas de areia que partem das praias do Farol e de Fora, terminando numa escadaria de pedra. Lá de cima aparecem todas as praias da ilha, a Baía de Paranaguá e a Ilha do Superagui.
Duas informações que poupam decepção: a visita interna ao farol é proibida — sobe-se até o alto do morro, não à torre — e a subida é exposta ao sol. Cedo é melhor.
A gruta, e os botos na baía

A Gruta das Encantadas é uma fenda no meio do costão rochoso e é uma das imagens mais repetidas da ilha. O interior é apertado e menos interessante do que parece nas fotos; o que impressiona é a vista de fora e a pequena orla ao pé dela.

Na baía aparecem golfinhos, que os moradores chamam de botos. Os passeios para observá-los saem dos trapiches das duas vilas, com barqueiros da cooperativa local.
As praias mudam de caráter conforme o lado

Praia da Fortaleza é a maior e a mais tranquila, com cerca de 4 km, e é onde fica a fortaleza. Praia Grande é cercada de morros e não tem construção na orla — só vegetação; o canto esquerdo é o ponto dos surfistas. Praia do Farol tem surfe no canto direito e uma lagoa do lado esquerdo, perto do istmo. E a Praia das Encantadas, em frente ao trapiche, não serve para banho pelo movimento de embarcações.
Uma vez por ano, entre junho e agosto, o Morro do Sabão recebe um festival de voo livre, durante a Festa da Tainha.
Horário de barco, tarifa de travessia e regra de visitação são decisão de quem opera cada serviço e do órgão gestor das unidades de conservação da ilha. Tudo isso muda; confirme antes de ir.
Fotos: acervo próprio, exceto onde a legenda indica outro autor

