Por Redação
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Itaúnas é uma vila de ruas de areia no extremo norte do Espírito Santo, encostada na divisa com a Bahia, dentro do município de Conceição da Barra. Tem pouco mais de mil moradores e fica na margem de um rio de mesmo nome. A palavra vem do tupi-guarani e quer dizer pedra preta — ela batiza o rio, a vila e o parque.
E a vila está no segundo endereço. O primeiro foi soterrado pelas próprias dunas.

A areia chegou primeiro
O campo de dunas avançou sobre a Itaúnas antiga e a cobriu. Não foi um evento de um dia, e é por isso que a data varia conforme quem conta: há relatos que situam o soterramento nos anos 1940 e outros que falam nos anos 1960. O que os relatos têm em comum é o processo — a areia subiu ao longo de décadas, os moradores foram saindo aos poucos, e a vila antiga terminou embaixo da duna. No lugar dela hoje há areia.

Nos anos 1970 a vila foi reconstruída na margem oposta do rio. É essa a Itaúnas de hoje — a segunda. As dunas continuam ali, em movimento, e chegam a 30 metros de altura. São elas que a maioria dos visitantes sobe no fim da tarde.
A vila voltou, e o forró veio junto
O movimento de forró pé-de-serra em Itaúnas começou nos anos 1980, quando a vila reconstruída ainda era pequena e quase ninguém de fora chegava até lá. Não nasceu como atração para turista: nasceu como o que se fazia à noite, entre moradores.
Em 2001, a Associação Cultural Forró de Itaúnas organizou a primeira edição do Festival Nacional de Forró de Itaúnas, o FENFIT. É o maior festival de forró pé de serra do mundo, acontece em julho, aproveitando o recesso escolar, e já passou da vigésima edição. Em festival, a vila multiplica de tamanho.

Fora da semana do festival, o forró continua. Bar do Forró, Buraco do Tatu e Café Brasil são os pontos mais conhecidos, e nas noites cheias a dança sai dos bares para a rua — que aqui é de areia, sem calçada nem meio-fio para atrapalhar. É a diferença entre ir a Itaúnas por causa do forró e ir a Itaúnas e encontrar o forró de qualquer forma.

O calendário manda na vila
Itaúnas tem duas velocidades, e elas dependem do mês. Vale escolher antes de comprar passagem, porque a diferença entre uma e outra é grande:
| quando | o que acontece |
|---|---|
| janeiro | Festa de Ticumbi, manifestação tradicional da região |
| dezembro e janeiro | Festival de Verão, vila cheia |
| julho | FENFIT, a semana mais cheia do ano |
| setembro | Festival Itaúnas e Sabores |
| resto do ano | vila baixa, praia praticamente vazia |
Quem procura o forró vai em julho e encontra a vila no limite da capacidade — hospedagem esgota com meses de antecedência. Quem procura praia deserta vai em qualquer outro mês e encontra o mesmo lugar sem fila. As duas viagens existem; elas só não são a mesma viagem.
As tartarugas chegam entre dezembro e março
O Projeto Tamar atua na região desde 1991 — o mesmo ano em que o parque foi criado — porque esta é uma área relevante de desova. São cerca de 80 ninhos por temporada dentro do Parque Estadual de Itaúnas, e quatro das cinco espécies de tartaruga marinha que ocorrem no Brasil desovam aqui.
A temporada de desova vai de dezembro a março, monitorada pelo Tamar. Isso coincide com o Festival de Verão e com a alta temporada, o que significa que a praia mais cheia do ano é também a praia com ninho na areia. Vale saber disso antes de escolher onde estender a canga, onde dirigir e o que fazer com a luz à noite: iluminação forte na faixa de areia desorienta filhote recém-saído do ninho.
Riacho Doce, a 16 km da vila

O litoral protegido aqui tem 25 km de extensão e quase nenhuma estrutura: são quatro quiosques em todo o trecho. As praias da faixa são Itaúnas, Riacho Doce, Coqueiros, Costa Dourada, Gesuel e Sossego.
Riacho Doce fica a cerca de 16 km da vila e é a que costuma aparecer nas listas de praia deserta do país. O nome vem do que acontece ali: um riacho de água doce encontra o mar, e a mistura deixa a água mais morna que o resto da faixa. A distância é parte do assunto — não há transporte de linha até lá, e é isso que mantém a praia como está.

O que o parque protege
A vila fica dentro do Parque Estadual de Itaúnas, criado em 8 de novembro de 1991 e administrado pelo governo do Espírito Santo. É o parque estadual mais visitado do estado, e protege um conjunto que vai além das dunas: restinga, alagados e a faixa de praia onde as tartarugas desovam.
Vale uma correção que circula muito, inclusive em material de turismo: as dunas de Itaúnas não são Patrimônio Mundial da Humanidade. O parque integra a Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, reconhecida pela Unesco em 1992 — que é outro programa da mesma organização. Reserva da Biosfera reconhece uma área de conservação e uso sustentável; Patrimônio Mundial é uma lista diferente, e Itaúnas não está nela. A distinção não diminui o parque; ela só descreve o que ele é.

Entrada, horário e regra de circulação nas dunas são decisão do órgão gestor do parque, e mudam. Confirme antes de ir.
Fotos: acervo próprio, exceto onde a legenda indica outro autor

