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Lençóis Maranhenses: em que mês as lagoas estão cheias, e por quê

85% da chuva do ano cai entre janeiro e maio. É isso que decide o mês da sua viagem.

Por Redação

Publicado em

Lençóis Maranhenses: em que mês as lagoas estão cheias, e por quê

A pergunta que decide a viagem aos Lençóis Maranhenses não é qual base escolher, nem quantos dias ficar. É em que mês as lagoas estão cheias, porque elas não estão o ano inteiro, e quem erra o mês encontra um deserto de areia branca em vez das piscinas verdes da foto.

Vista aérea das dunas dos Lençóis Maranhenses com lagoas de água verde entre elas

A resposta está na chuva, e a chuva ali é medida. Dentro do limite do parque caem cerca de 1.929 mm por ano, e a distribuição é o oposto de uniforme: 85% desse total cai entre janeiro e maio. Março sozinho traz 473 mm. Setembro traz 11.

As lagoas são chuva parada

Os Lençóis não são um deserto, apesar da cara de um. São um campo de dunas que recebe quase dois metros de chuva por ano, mais do que muita cidade da Amazônia. O que os torna diferentes é o que acontece embaixo: a areia é tão fina e o lençol freático tão raso que a água da chuva não escoa nem infiltra fundo. Ela empoça entre as dunas e fica.

Lagoas de água verde entre dunas brancas nos Lençóis Maranhenses

Por isso o calendário das lagoas é o calendário da chuva, com atraso. Elas enchem enquanto chove, de janeiro a maio, e a partir daí só perdem água, evaporando sob um sol que passa dos 30 °C todos os meses do ano.

O parque foi criado para proteger esse sistema, e não só a paisagem. Dentro dos limites só circulam veículos credenciados, e a visita exige guia.

O mês certo, segundo o dado

Esta é a chuva média dos últimos dez anos, medida em 48 pontos sorteados dentro do contorno do parque, não na cidade ao lado:

jan 200 mm jul 51 mm
fev 323 mm ago 14 mm
mar 473 mm set 11 mm
abr 386 mm out 13 mm
mai 253 mm nov 36 mm
jun 94 mm dez 75 mm

Lendo a tabela de trás para frente, a janela aparece sozinha:

Junho e julho são o auge. A chuva já parou: junho cai para 94 mm, menos de um quinto de março, mas as lagoas ainda carregam tudo o que caiu nos cinco meses anteriores. É o encontro raro de lagoa cheia com dia de sol.

Agosto ainda funciona, com as lagoas visivelmente mais baixas.

Setembro é o mês mais seco do ano, com 11 mm. Muita lagoa pequena já secou. Quem vai em setembro esperando as fotos de julho se decepciona. E essa é a confusão mais comum sobre o parque, repetida em muito roteiro que trata "junho a setembro" como um bloco só. Não é: dentro dessa janela, a diferença entre o primeiro mês e o último é a diferença entre lagoa e areia.

De janeiro a maio chove de verdade. As lagoas estão enchendo, mas o passeio pega chuva e o céu fechado tira o verde da água, que vem do reflexo do sol no fundo claro.

A ficha do parque mostra esse mesmo cálculo mês a mês, junto com a temperatura, e é atualizada sozinha.

Lagoa cheia entre as dunas dos Lençóis Maranhenses

As três portas de entrada

O parque fica a cerca de 260 km de São Luís, e há três bases, com perfis bem diferentes.

Barreirinhas é a mais estruturada e a mais movimentada. Chega-se de carro, ônibus ou avião. De lá o acesso às lagoas é por veículo credenciado, e há também o passeio de barco pelo rio Preguiças: cerca de quatro horas na linha regular, uma hora e meia de lancha.

Rio Preguiças, um dos acessos aos Lençóis Maranhenses

Santo Amaro fica do outro lado do parque e é bem menos explorada. De São Luís são cerca de quatro horas e meia de carro ou ônibus. Do centro da cidade até as lagoas são menos de 10 minutos de 4x4, ou uns 45 minutos a pé. É a base que coloca você mais perto da areia.

Dunas dos Lençóis Maranhenses vistas do chão

Atins é a mais rústica das três, de ruas de terra, e só se chega pelo rio: carro até Barreirinhas e barco de lá. Vale por outro motivo: é a base que encurta o caminho para o Delta do Parnaíba e para Jericoacoara, se a ideia for emendar.

Vila de Atins, uma das bases de acesso aos Lençóis Maranhenses
Vila de Atins

Além de entrar na água

O sobrevoo é o passeio que mostra o que nenhuma foto no chão mostra: a escala do campo de dunas e o desenho das lagoas encaixadas entre elas.

Vista aérea do campo de dunas dos Lençóis Maranhenses

A travessia a pé cruza o parque em três a cinco dias, com apoio e guia. É uma viagem de outra natureza, não um passeio de um dia.

O kitesurf cresceu na região por causa do vento constante, sobretudo no lado de Atins. E os rios Preguiças e Formiga rendem passeios inteiros por conta própria, para quem tiver mais de um dia.

Kitesurf na região dos Lençóis Maranhenses

A Rota das Emoções

Os Lençóis são a primeira parada de um roteiro de cerca de 900 km que atravessa três estados (Maranhão, Piauí e Ceará), de São Luís a Fortaleza, passando pelo Delta do Parnaíba e por Jericoacoara.

Dunas brancas e céu azul nos Lençóis Maranhenses

Se a viagem for essa, o calendário das lagoas continua mandando: o trecho maranhense é o único do trajeto que depende de um mês específico para valer a pena.

Fotos: acervo próprio, exceto onde a legenda indica outro autor

Página atualizada em 2 de outubro de 2026.

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