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O búfalo passou o boi em Marajó, e a altitude explica

São 462 mil cabeças de búfalo para 290 mil de gado bovino, a maior concentração do país. Num arquipélago que não passa de 30 metros acima do mar, o animal que atravessa a várzea leva vantagem sobre o que precisa de terra firme.

Por Redação

Publicado em

O búfalo passou o boi em Marajó, e a altitude explica

O arquipélago do Marajó tem 462.106 búfalos, segundo o levantamento do IBGE de 2022. É a maior concentração do animal no Brasil, e o estado do Pará responde por 38% de todo o rebanho bubalino do país.

O número que surpreende, porém, não é esse. É a comparação. O rebanho bovino do Marajó é de 289.719 cabeças. Em praticamente todo o resto do Brasil o boi supera o búfalo por ordens de grandeza. Ali a relação se inverte, e há três búfalos para cada dois bois.

462.106búfalos no arquipélago
289.719cabeças de gado bovino
0 a 30 mde altitude, medida em 94 pontos

A explicação está na cota

O Marajó não tem relevo. A medição de altitude do Ecoviagem, feita ponto a ponto dentro do contorno da ilha, encontra uma faixa que vai de zero a 30 metros acima do nível do mar, apurada em 94 pontos. Em um território assim, na foz do maior rio do mundo, a maré e a cheia decidem a cada estação o que é terra e o que é água.

O búfalo atravessa a várzea alagada, come o capim que fica submerso e trabalha em campo onde trator não entra. O boi, não. A vantagem do búfalo no Marajó não é cultural: é topográfica.

São 17 municípios e 591.064 habitantes, pelo Censo de 2022, numa densidade de 5,54 pessoas por quilômetro quadrado. Em Chaves, o município menos povoado, são 1,66 pessoas por quilômetro quadrado. Dá quatro búfalos para cada cinco marajoaras.

A cerâmica que leva o nome da ilha é feita, em boa parte, fora dela

A cerâmica marajoara é a arte cerâmica mais antiga do Brasil e uma das mais antigas das Américas. A sociedade que a produziu ocupou a ilha entre os anos 400 e 1600. O acervo reunido pelo naturalista Domingos Soares Ferreira Penna, com 2.167 peças, está no Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém, e é registrado como patrimônio cultural do Pará.

Mas quem procura as olarias dentro da ilha encontra menos do que espera. O maior centro de produção artesanal no estilo marajoara é Icoaraci, distrito de Belém, a cerca de 20 quilômetros do centro da capital, onde funcionam mais de 80 olarias. No arquipélago, o polo é Ponta de Pedras.

Desde 2017 o Museu Goeldi mantém um programa que leva ceramistas de Icoaraci ao contato direto com as peças arqueológicas originais, para que a produção contemporânea se aproxime da técnica antiga.

De onde vem cada número

Os dados de rebanho, população e densidade são do IBGE: o levantamento de 2022 para búfalos e bovinos, o Censo Agropecuário de 2017 para a participação do Pará no rebanho nacional, e o Censo de 2022 para os 591.064 habitantes em 17 municípios.

A faixa de altitude de 0 a 30 metros é medição do próprio Ecoviagem, em 94 pontos dentro do contorno da ilha.

As informações sobre a cerâmica marajoara, o acervo de 2.167 peças de Ferreira Penna, as olarias de Icoaraci e o programa iniciado em 2017 são do Museu Paraense Emílio Goeldi.

Fotos: acervo próprio, exceto onde a legenda indica outro autor

Página atualizada em 2 de outubro de 2026.

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